Entrevista - Rogério Jonas Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ/Cyrela
Que papel as construtoras podem desempenhar na capacitação de novos profissionais? Na RJZ Cyrela estamos fazendo um grande investimento em treinamento através da Academia Cyrela, nossa Universidade Corporativa. Através dela, proporcionamos treinamentos técnicos e comportamentais para todos os níveis de profissionais, desde a equipe de produção de obras até a diretoria está sendo qualificada para enfrentar o turbulento cenário que se apresenta.
Como funcionam os programas de formação organizados nos canteiros de obras? Dentro do canteiro de obras temos diversas ações direcionadas à capacitação e ao desenvolvimento da equipe de produção. Podemos destacar o programa Construindo Pessoas, que proporciona salas de aula dentro dos canteiros de obra, com duração média de 5 meses. Tem capacidade de até 25 alunos, que podem ser da empresa ou das empreiteiras parceiras, e que proporciona um certificado de conclusão do 5º ano do ensino fundamental reconhecido pelo MEC. Iniciamos em 2007 e já formamos mais de 200 colaboradores no Rio. Além disso, temos o Construtor Aprendiz, projeto de capacitação de jovens de 16 a 18 anos para entrarem no mercado de trabalho. Estes jovens ficam 4 meses em treinamento tendo matérias sobre construção civil, mercado de trabalho e administração. Posteriormente são alocados nos escritórios das obras para realização de atividades administrativas. Muitos destes jovens foram efetivados e iniciaram sua vida profissional na empresa. O Rio está enfrentando grandes desafios com a organização da Copa do mundo, das olimpíadas, além das obras de revitalização do Porto e do programa Minha Casa Minha Vida... Com todos esses projetos, como as empresas pretendem suprir as necessidades em termos de mão de obra? A expectativa até 2016 continua sendo de grande crescimento para o setor. Estamos nos preparando para suportar esse crescimento através programas de atração de jovens de alto potencial e de grande investimento em capacitação e desenvolvimento interno dos seus colaboradores.
O que pode tornar as profissões ligadas à construção civil atraentes para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho? O aquecimento do mercado atual e as perspectivas futuras são grandes atrativos para os jovens em início de carreira. A escassez de recursos e de mão-de-obra qualificada para suportar esse crescimento, exige fortes investimentos das empresas em inovações tecnológicas e na capacitação interna dos colaboradores. Tudo isso é muito bem avaliado pelo jovem de hoje, que faz uma analise criteriosa em suas escolhas profissionais. A RJZ Cyrela possui diversos programas em sua Universidade Corporativa - Academia Cyrela - com o objetivo de atender essa demanda e atrair jovens de alto potencial, são eles: Programa de Estágio, Programa Trainee, Programa de Formação de Analistas de Negócios, focado nas atividades chaves da empresa, entre outros. Além disso, buscamos uma aproximação com as universidades, de forma a construir uma relação de longo prazo onde possa divulgar melhor a empresa e atrair jovens potenciais.
Já existem soluções tecnológicas para aumentar a produtividade e otimizar o uso da mão de obra? As construtoras já estão investindo nesse sentido? Criamos um laboratório de inovações tecnológicas, com profissionais de excelência, que busca otimizar suas metodologias e processos construtivos. Podemos citar como exemplo, o estudo de estruturas pré-moldadas em concreto, para aplicação em novos empreendimentos, e a pesquisa de novas tecnologias que visam a redução de custos de construção para atender ao mercado de baixa renda.
Em São Paulo, a mão de obra feminina já representa 30% do pessoal do setor. Qual seria a proporção no Rio? Será que existem iniciativas para incentivar mulheres a abraçar essa carreira? No mercado do Rio essa proporção ainda é muito menor, porém já existem fortes iniciativas das prestadoras de serviços em nossos canteiros. Destacamos essa iniciativa nas atividades de carpintaria e pintura. Nosso principal parceiro de carpintaria (COFIX) investe no projeto Mão na Massa, que qualifica mulheres para a atividade. Hoje, a mão de obra feminina na carpintaria ainda representa 1% do total, mas está em pleno crescimento.